Sobre o tédio

Acho que a pior sensação é aquela que bate no final da tarde, agora no inverno, quando o sol já está se pondo e vem aquele vazio no peito de ter desperdiçado mais um dia.

Não estou trabalhando, não estou estudando e deveria usar essa quantidade inacreditável de tempo livre para fazer algo bem legal - nos meus parâmetros do que seria "algo bem legal" - tipo aprender a tricotar ou estudar para o vestibular, ou analisar a direção de arte de um filme bem antigo, mas eu vivo e respiro pessoas e sem ter um contato verdadeiro com ninguém, sinto que nada tem o mesmo gosto e tudo é muito vazio.

Quanto mais perto do Sol se por, mais ideias incríveis de como eu poderia ter aproveitado melhor o meu dia surge na minha cabeça, quanto mais escurece qualquer atividade parece ser mais interessante do que ter passado o dia todo fazendo uma maratona de um reallity de moda, até limpar o chão da cozinha teria sido um melhor uso do meu tempo.

É muito fácil olhar para a vida dos outros e dizer que são bem melhores do que a minha, todos tem coisas para fazer, lugares para ir, pessoas para ver, vida para viver e eu continuo na minha toca, tentando encontrar sentindo em todo esse marasmo. Mas talvez alguns também achem a sua rotina vazia e sem sentido e que estão gastando o tempo da sua vida em coisas que não faz sentido. Talvez. Talvez todos temos questões mais parecidas do que queremos pensar.

A minha volta eu conheço pessoas extremamente disciplinadas, que aparentemente sabem muito bem como gerenciar o seu tempo, quanto eu não consigo sair da cama a hora que eu me proponho. Quando eu estava no ensino médio, sonhando com o dia em que me formasse, eu imaginava que teria uma vida bem diferente dessa, uma vida mais agitada, com mais checks na lista de feitos, com mais trangessões, com mais cortes de cabelos malucos, com mais cor, com mais vida.

Não sei, talvez seja a falta de Sol, talvez seja falta de vergonha na cara, talvez só seja um dia ruim no qual meu cabelo, pelo e auto estima estejam péssimos, mas eu odeio essas tardes de tédio, que viram noites de tédios que viram manhãs de preguiça por que estou muito cansada de não fazer nada.



Sobre um sonho

Hoje eu sonhei com você, nem sei que você existe.

"Felicidade" não se encontra presente no meu vocabulário nesses meus últimos meses, sei que a vida de ninguém é um comercial de margarina, mas eu into que falta algo. Algo que estou desesperada para encontrar, mas não sei exatamente onde e não sei exatamente o quê. Então você veio, pegou-me totalmente desprevenida, da forma mais baixa possível, em um sonho .

Quantas vezes, nessas últimas semanas, vocês acordaram com um sorriso pleno no rosto?

Eu? Apenas uma. Mas valeu a espera.

Você veio, em um sonho. Mas foi tão bom.

As coisas pareciam se encaixar, e tudo que não estava no seu lugar, naturalmente ia, e eu me sentia tão leve, tão feliz, tão viva. Sabe, adoro romance, mas ele não parece combinar comigo, mas ontem, com você, momentos românticos iam muito além da breguice.

Não, não me recordo do seu rosto, nem da sua voz. Mas isso não importa, nunca fui uma pessoa muito visual. O importante é que acordei sorrindo, com uma energia diferente. Será que isso é paixão?

Mas como diria uma música que gosto muito "eu poderia jogar a minha vida fora, em um sonho que não pode se realizar."

Por ninguém



Nesses últimos dias, tenho ouvido praticamente a apenas uma música For no one", dos Beatles.

Quem me conhece sabe que sou uma grande fã da banda (não dá para esconder um poster que ocupa metade da parede do meu quarto), mas nunca parei para escutar o álbum "Revolver", circulando pelas músicas que tenho, descobri esse um pequeno achado. Sabe quando você escuta uma música e algo nela parece que foi feito especialmente para você? Depois de pular tantas faixas, ouvindo poucos segundos de cada uma, a voz do Paul McCartney surtiu quase um feito paralisante em mim, ao mesmo tempo que a letra não tinha nada a ver com minha situação, ela tinha, é algo que não consigo por em palavras, apenas sentir ao ouvir a música.

Mas enfim, vamos para a música em questão.

Logo no começo da letra, ele afirma que ela não o ama mais. Mas ao invés dela ficar triste parece que ela se libertou de algo, não tem ninguém mais que ela ame e isso é imensamente libertador. Ela está sozinha e não tem medo disso, na verdade acho que ela ansiava por isso. Ela chora, mas não por ele, não por ela, por ninguém, porque apesar de tudo, um término tem seu aspecto melancólico.

Por outro lado, ele não esperava por isso, ele a queria, ele precisava dela e achava que ela sentia o mesmo. Se nega a acreditar nas palavras dela até não ver mais amor em seus olhos. É duro para ele, seria duro para qualquer um, a cabeça dele dói e ele se lamenta "Um amor que deveria ter durado anos."

Essa é o meu verso favorito da música, tantos planos e certezas que temos certeza, tantas situações que achamos que duraram para sempre, mas apenas não durou. Nessa música não há um vilão, apenas a vida acontece, e um amor que deveria ter durado anos, não durou.


É difícil quando isso acontece, é sufocador quando você descobre que o mundo não acontece como você imaginou dentro da sua cabeça, você não tem controle das coisas, mas por outro lado, eu acho isso muito libertador. É como se fosse outra chance, uma chance de fazer diferente antes que você notasse que isso não tinha futuro. Talvez, depois que anos se passarem e quando você retorna nesse ponto, vai ter que admitir que foi o melhor. O melhor que poderia acontecer para você mesmo não acreditando isso na época.

Para mim, essa é a beleza da vida.


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